sábado, 4 de janeiro de 2020

O Julgamento de Shemaya

Terminei de ler o livro O Julgamento de Shemaya do autor James Kimmel Jr. A indicação  foi dada em um grupo de Whatsapp, o qual eu participo, e que foi criado para  estudantes de Direito, advogados  e simpatizantes de literatura com esta temática.  Um dos primeiros livros que me interessei foi esse. Principalmente por ter relação com o espiritismo  e as religiões de modo geral.  Comecei a ligar em alguns sebos da minha cidade para conseguir encontrá-lo. Por sorte, o segundo que liguei tinha um único exemplar.  O livro é da história de Brek, uma advogada que morreu, e após a sua morte, vai parar em uma estação de trem, e não sabe nada do que aconteceu, tampouco que já havia  morrido. Ela lembra algumas coisas da sua vida, entre elas, de sua filha, que ainda era pequena. No desenrolar da história, ela fora convidada a ser advogada além da vida, e para tanto, ela precisa passar por uma espécie de "treinamento" para vivenciar acontecimentos do dia-dia , muitas situações que as almas que ela precisará defender, passaram. Momentos bons, momentos ruins, injustiças, entre outras situações.  A história se torna interessantíssima, pois convida a fazer várias reflexões. O autor mostra muitas semelhanças que as religiões, de modo geral, têm. Nos leva a uma reflexão de que a justiça dos homens pode errar nos julgamentos, mas, e a justiça divina? Se você estiver curioso(a) para saber - quem a matou? Por que? Como? Vai ter que ler o livro. Mas, com a devida licença, um pequeno spoiler, nem tão spoiler assim: este  mistério não é NADA, perto da mensagem que o livro traz sobre os julgamentos, principalmente, com o olhar de tantas religiões existentes, tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. O que mais prendeu minha atenção nessa leitura, não foi somente este aspecto envolvendo as religiões. Mas também o quão importante é nos colocarmos no lugar do outro. E se  nós precisássemos defender quem nos magoou, será que seriamos capazes?
Difícil lidar com julgamentos. O tempo todo, ainda que inconscientemente, somos julgadores. Se tivermos o mínimo de conhecimento  sobre a psicologia, (leia-se, não ser um profissional da área), se torna mais difícil ainda. Afinal de contas, é natural o ser humano rotular, criar regras e julgar a todo instante. Mas, precisamos cuidar para estabelecermos o mínimo de ordem na insegurança que o caos gera dentro de nós. Às vezes, inclusive,  colocamos a "monstruosidade" no outro para afastar a nossa própria. E isso o autor consegue expressar muito bem em sua obra.
Mas a regra de relativizar , não deveria servir somente para as nossas condições  e “desculpas” de comportamento, como muitas vezes fazemos. Deveria valer um pouquinho para o olhar o  outro – mesmo quando esse outro nos magoa. E ainda, contudo,  arcar com as consequências da sociedade que tem regras e exige manutenção dos seus “padrões de normalidade”.
Quem sabe, buscar um equilíbrio entre o nosso ideal de pensamento e de liberdade versus a prática que rege a realidade da qual fazemos parte... Isso é uma forma de  ADAPTAÇÃO. É uma das maneiras de avaliar o grau de normalidade das pessoas. Pelo menos é o que alguns "livros de comportamento humano" dizem por aí.

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