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Neste post, para inaugurar meu blog, estou meio receoso para usar da minha liberdade de expressão através da escrita.
Cheguei a pensar em me calar, leia-se - não publicar. No entanto, minha compulsão pela escrita e pela revelação, mesmo que oculta, não me permite fazer diferente. Não é possível simplesmente me afastar de mim mesmo, deixar pra lá, ignorar certas coisas e acontecimentos tão significativos, e simplesmente esquecer. Este ano foi um turbilhão de coisas que vivi e que tento, inclusive, muitas delas, esquecer. Mas volta e meia tenho recaídas. O medo de dizer as coisas que eu penso me toma, fico com receio de ser traído pelas palavras que podem ser usadas contra mim, mal interpretadas, julgadas, como acontece com aqueles que tem certa facilidade pra despir a alma.
Medir palavras, dizer meias-verdades e calcular cada letra escrita não corresponde à conduta de alguém que escreve e fala muitas coisas por compulsão – como me auto-diagnostico.
Descobri coisas muito importantes neste ano de 2019. Sobre algumas dessas descobertas que eu quero escrever. Pra mim e para quem quiser ler. Sei que terei leitores especiais.
- Este ano pude constatar que tem muita gente legal no mundo. Muitas pessoas especiais que surgem na vida da gente e fazem toda a diferença sem que elas cheguem a saber disso. Outra coisa que descobri é que todo mundo, sem uma única exceção, tem seus calcanhares de Aquiles, mesmo que façam malabarismos para escondê-los. Portanto, somos todos loucos, insanos, ótimos conselheiros, amigos, vingativos, frágeis e fortes em diferentes graus. Somos humanos. E ninguém é melhor do que ninguém, porque passamos por fases o tempo inteiro. Entramos e saímos delas porque SER humano é viver assim. A não ser que a opção seja pela superficialidade e pela venda constante nos olhos. Também percebi que o ser humano pode ter um lado cruel, egoísta. Ser dono de espelhos distorcidos que refletem a luz e apenas atraem as sombras. Não é um estado imutável. Mas uma forma que se ESCOLHE viver.
- Tive contato com vários tipos de pessoas durante este ano, que a minha vida virou de pernas pro ar, e fui levado a rever conceitos de vida e também redescobrir, aos poucos, quem sou e do que sou capaz. Existem pessoas por quem tenho um carinho imenso, independente do contato diário - independente das afinidades no estilo de vida - porque o que conta é a forma de existir, de pensar. Com outras, tenho uma afinidade de convívio mais superficial, mais de falar bobagem, de rir e jogar conversa fora. Outras para as quais falei muito sobre mim, minha vida, meus pensamentos.
Ainda há as com quem não tenho absolutamente nenhuma afinidade, mas convivo numa boa, porque fui aprendendo a focar no melhor de cada um. A vida de todo mundo dá um livro interessantíssimo. Basta ter olhos para ver. E, parafraseando, pela última vez neste ano, José Saramago, sobre a sua obra sobre a cegueira : "Se podes ver, vê. Se vê repara".
Aliás, foi neste ano que fui convidado, entrelinhas, a conhecer este autor e suas obras. Não o conhecia.
- Tive grandes surpresas positivas e grandes decepções! Quando se é obrigado a ficar trancado dentro de si mesmo, e finalmente encontrar-se consigo mesmo, entramos em contato com aspectos tão profundos de nossa personalidade, que as perspectivas parecem mudar. Em momentos de crise, as prioridades ficam oscilando e se revezando. Até que se alcance um equilíbrio, que eu ainda estou buscando, e acho que todos nós buscamos pra sempre, em todos os momentos da nossa vida.
- Ouvi e li muitas coisas sobre mim: algumas bem depreciativas, mas a maioria, foram feedbacks tão positivos, em momentos tão inesperados, que me obrigaram a dar uma nova dimensão àquela pessoa que eu enxergo quando olho o espelho. Relembrei conceitos os quais havia desacreditado nos últimos anos. E me percebi dando valor às coisas, pessoas e situações que me faziam muito mal, apenas porque eu permitia que o fizessem! Havia acostumado com o desconhecimento de mim.
- Descobri que a intelectualidade não significa nada sem a prática do sentimento, a vontade de viver com amor, com respeito, com ética e com boas intenções . Entendi que apenas a "bondade" no coração não atingem tanta gente quanto poderia atingir, se as pessoas tivessem a facilidade e a humildade de passar o conhecimento pra frente, utilizando de recursos intelectuais que facilitassem esse processo. Jamais o contrário. Constatei que o domínio da escrita é algo muito perigoso e pode ser um veneno mortal de efeito rápido quando mal utilizado - de maneira egoísta ou tendenciosa. Vi que ter o dom da palavra e da argumentação pode levar ao céu e ao inferno num piscar de olhos e que o orgulho e a vaidade vão atrair pessoas e/ou situações que nos coloquem em nosso devido lugar: o de seres humanos que ainda têm muito a aprender: que erram, acertam, mas não se acomodam - estão sempre em busca do auto-conhecimento.
- Confirmei que o que existe no mundo muitos “Drs da Verdade” usando de “achismos” e “psicologismos”, para enquadrar, julgar e condenar a pessoa que está ao seu lado. Mas constatei também que ninguém está livre de assumir este tipo de comportamento, nem mesmo eu, mas é possível sim, controlar sua frequência. Esquecemos que cada um foi criado em um tipo de família, teve experiências pessoais diferenciadas, respostas diferentes que o mundo e a vida lhes deram, condições sociais e intelectuais diversas e não adianta pensar que o outro vai olhar a vida sob o mesmo prisma sob o qual enxergamos, por mais que os nossos argumentos pareçam infinitamente racionais e convincentes.
- Cada um tem seu tempo, seu momento. E as verdades não são únicas e absolutas. Cada um tem a experiência da qual necessita para amadurecer, para crescer, para aprender, para aparar as arestas de sua personalidade.
- Percebi que tudo é transitório: as pessoas entram e saem da nossa vida e sempre há uma razão para isso acontecer. E não me interessa mais perder meu tempo tentando descobrir tantos "comos" e "porquês". Descobri que o perfeito simplesmente não existe. As convenções sociais existem para aplacar a nossa angústia de não saber de onde viemos, porque estamos aqui e para onde vamos. As regras sociais controlam nosso caos interno e nos permitem aproveitar ao máximo essa chance de existência.
- Descobri que os defeitos alheios ameniza os meus próprios e “desculpa” toda a minha dificuldade em lidar com os meus maiores obstáculos emocionais.
- Fui me dando conta de tantos conceitos, muitos deles completamente "lugar-comum", já esgotados de serem discutidos em tratados de Psicologia. Ideias já incansavelmente transformadas em versos pelos poetas que eu sempre gostei... Músicas que sempre escutei. Nenhuma das minhas descobertas foram grandiosas. Nenhuma foi novidade. São coisas que todo mundo sabe, todo mundo passou, todo mundo sentiu.
- A diferença é que agora não tenho mais vontade de deixar passar. De fingir que não vi. De guardar num canto qualquer do coração e deixar acumular, como fiz durante tanto tempo, tornando minha alma um "quarto das bagunças", cheio de mofo, de ausência de luz, aquele tipo de lugar que quando a gente entra sente certo mal-estar porque o arquivo nunca foi colocado em ordem alfabética e as gavetas estão superlotadas de coisas que nem sabemos o que são.
- Tenho 32 anos, uma vida pela frente, muito a aprender, muita vontade de ser feliz. Sou um privilegiado porque as coisas sempre acabam "acontecendo" pra mim. Sempre ouço as palavras certas nos momentos mais oportunos. Quando acho que não existe solução e que tudo está errado, algo acontece e me faz ver que muito mais do que cumprir protocolos e ser socialmente aceito - eu apenas SOU. E o que eu SOU me faz cada vez ter mais vontade de transformar o modo como ESTOU.
- Assumi minha sensibilidade. Aprendi a respeitar mais minha intuição. Aprendi que tentar ser uma pessoa especial, notada, aceita, causa estranhamento a longo prazo. Questão de escolha. Descobri que ser espontâneo e consciente pode causar inveja – mas também admiração, respeito. Descobri que demonstrar fragilidade faz com que algumas pessoas se identifiquem e outras se aproveitem disso de maneira negativa .
- Tive a experiência de que ser transparente é uma escolha perigosa - embora eu continue apostando nessa escolha. Aprendi que devo tomar cuidado redobrado, porque por vezes, utilizam-se todos os instrumentos para que suas palavras, ações e seu SER sejam habilmente distorcidos, manipulados, condenados e julgados sem direito à apelação. Mas a verdade acaba vindo à tona, mesmo que demore. E a ilusão sempre se desfaz, por mais que ela dure tempo suficiente pra causar alguns estragos.
- Ouvimos falar muitas coisas sobre todo mundo. Saber a verdade, poucas vezes conseguimos. É necessário cada vez mais humildade e disponibilidade para aceitar sair do nosso comodismo e tentar nos colocar um pouco no lugar do outro. Ter empatia. Lidar com a intriga, os sentimentos negativos, nos faz exorcizar nossos próprios fantasmas. Ajuda a nos tornar, mesmo que superficialmente, pessoas melhores.
- Não quero ser melhor que ninguém. Quero ser melhor do que EU MESMO. Quero usar meu potencial ao máximo. Quero superar minhas fraquezas e buscar cada vez mais o meu equilíbrio. Por mais que eu tenha desilusões, assista à situações constrangedoras, ouça casos que mais parecem sórdidas estórias de novela, eu ainda creio nas pessoas. A raiva vem, a indignação aparece, a mágoa surge. Mas eu continuo acreditando no ser humano. Apenas constato que a diversidade de estágios em que nos encontramos é enorme. E que acabamos atraindo as pessoas de acordo com o momento que estamos vivendo. Hoje me dou o direito de escolher quem eu quero perto de mim. Tudo é tão efêmero... Pessoas e situações modificam-se o tempo todo e como eu costumo dizer, é ilusão acharmos que teremos os mesmos cúmplices pela vida inteira. O fato é que somente a aprendizagem e a busca pela evolução não são transitórios, se mostra inquestionável.
- É ESCOLHA manter pessoas e situações em nossas vidas. Escolhas que são diariamente reafirmadas nas nossas ações e padrões de pensamento. É a isso que eu quero estar atento. É na roda viva da ilusão que eu quero evitar cair a todo instante. Evitar dogmas. Raciocinar sobre a repetição de preconceitos. Prestar atenção às escolhas que fazemos repetidamente e depois colocamos a culpa na vida e em outras pessoas por colher tantas aflições.
- Este ano tive vivências das quais me arrependo, várias coisas que eu mudaria, poderia ter evitado. Não tenho nada de santo, não sou exemplo pra ninguém, não sou bonzinho e estou longe e ser a pessoa mais equilibrada desse mundo.. Os meus defeitos eu conheço muito. E reconheço os novos aos quais sou apresentado, cada vez que me aprofundo em meu ser.
- Também tenho qualidades. Especificidades que fazem de mim a pessoa que eu sou, me tornam singular. Tão especial e notável quanto cada uma das pessoas que me rodeiam. Talvez o que me torne mais feliz é estar atento. Em constante reflexão. Saber que ser diferente é exatamente de onde extraio toda a minha força e vontade de viver, de aprender e continuar com meus planos e metas de vida. Saber que a minha lista de "situações a conquistar" é cada vez mais explícita, mais clara pra mim mesmo. E isso só me facilita. Embora às vezes me assuste tanto...
- Não sei bem certo o que acontece, as adversidades que a vida nos impõe, as inúmeras decepções e dos meus lados mais negros e sombrios que me propiciaram esta forma de ver a vida. Ou se foram as pessoas especiais que cruzaram meu caminho, todos os pequenos milagres que eu soube enxergar, toda a proteção que eu sempre senti possuir desde que me entendo por gente.
- O que importa é seguir meu caminho. Trabalhando pelo que eu acredito valer a pena e não pelo que apenas suga energia ou é bem visto em sociedade. O que as pessoas pensam sobre mim, aos poucos já não está mais fazendo diferença. Porque eu SOU, apesar do que pensem. E muitas vezes eu me coloco em situações de servir como espelho para que algumas pessoas possam olhar para si e reconhecerem suas qualidades mais renegadas. Em outros momentos me curvo a algum momento mágico proporcionado pelo convívio com as pessoas, pelo contato com a arte, a poesia, com a música.
- Quem quiser saber de mim, sempre saberá. E quem quiser achar que é capaz de falar por mim, também pode tentar. Cada um escolhe se quer a verdade ou a conveniência da ilusão. Eu ainda me engano... Por isso não condeno. Tento corrigir quando percebo. Só estou trilhando os atalhos dos caminhos que se mostram, assim como tantas pessoas iguais a mim. Apenas não quero escolher manter a venda quando os véus insistem em cair e a vida se revela: inteirinha, pra ser vivida plenamente! Como vivê-la cabe a cada um de nós. Um brinde a esse grandioso ano de 2019! Saúde e Paz a todos nos!
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