.
Logo após eu divulgar meu blog no Facebook, uma pessoa muito especial pra mim, veio me perguntar se não tenho medo de expor coisas tão intimas assim, para qualquer pessoa. Primeiro, quem disse que eu pretendo falar tudo ao ponto de me preocupar com exposição ? Porque, você, caro leitor, vai concordar comigo: nem sempre é possível ficar aprofundando demais. Pode ficar meio chato. Cansativo. A não ser em conversa de melhor amigo ou dentro do consultório, só você e seu psicanalista.
Simplesmente tem coisas que não se fala para qualquer pessoa. Que eu não publicaria. Tem coisas que são desnecessárias realmente. Sentimentos profundos, crises existenciais, dificuldades, “lavação de roupa suja” das emoções causam impacto. Dividem opiniões. Abrem-se para críticas. Tornam o autor exposto e nú. E não existe nudez mais explícita do que a nudez da alma. Você fica lá, com vírgulas, pontos, metáforas, crises e estilo à mostra. E o pior: porque quer.
Escritor não escreve somente para ele mesmo, se não, não publicaria. Nem em blog, como este que eu estou criando para compartilhar meus textos. Deixaria tudo no diário particular, trancado à chave e escondido no fundo de uma gaveta.
Uma das minhas "neorozes" e mais assustadora é a de que alguém - que leia os meus textos, e tire conclusões precipitadas e, principalmente, busque causas e consequências que tenham entre si relações inexistentes.
Outra "fantasia", se é que podemos dizer assim, é a de que alguém leia este blog e decida que me conhece por causa do que vou publicar aqui, formando uma opinião deturpada e fragmentada a meu respeito. Talvez o mais simples fosse omitir imagem, nome e referências, descartando o fator que desencadeia tudo que pretendo escrever neste blog. Afinal, eu não tenho controle sobre a reação dos outros e nem sobre o tipo de sentimento que a leitura do que eu escrevo possa lhes suscitar.
A propósito, quem são esses outros? Para que lhes conferir importância? As ideias que outras pessoas tenham a nosso respeito não mudam quem somos de verdade. Estou, fazendo muita terapia, para, enfim, entender isso. E se há quem prefira o reducionismo e se contente com a casca e a superficialidade, não haveria o porquê de simpatizar ou se identificar comigo de alguma forma. Pois se me conhecesse, de verdade, provavelmente não sentiria-se incomodado pela minha postura de não ser raso, não ser simples, ser tão intenso e ter a estranha mania de continuar querendo ser feliz, mesmo estando fora dos padrões da mesmice sob os quais muitas pessoas escolhem viver.
Enfim, vou colocar a minha foto estampada na descrição deste blog, sim. Assinar meu nome. Posso até parecer contraditório em alguns momentos, mas não tem problema. Não me preocupo em revelar as fraquezas. Posso cometer enganos. Pretendo aqui neste espaço mapear defeitos. E, me perdoem se por vezes eu deixar extravasar melancolia. Porém, tudo isso pode me faz mais forte, aproximando-me mais de mim mesmo. E torna ainda mais especiais as outras características que tenho e mostro para quem tiver olhos sinceros para ver e coração aberto para sentir.
Escrever é uma forma de organizar os próprios pensamentos. Ou então de dar vazão à própria loucura. É ser exibicionista com a desculpa convincente de transmitir informações, opiniões, notícias ,poesia, música e arte. É indignação consigo e com o outro. É ser um pouco egocêntrico e ousar acreditar que o que se escreve pode ser exatamente o que o outro está sentindo, mas nem percebeu. Ou se percebeu, não sabia como expressar. Se o que eu vier a escrever, tocar ao menos uma pessoa, já valerá a pena.
A verdade é, quando se coloca sentimentos e emoções em palavras – o alívio é imediato! A cabeça fica mais organizada, o coração mais leve e dá uma sensação de missão cumprida. Porque a urgência que nos acomete quando sentamos para escrever é a de quem tem um compromisso importantíssimo e inadiável. Mesmo que ninguém leia. Mesmo que seja uma experiência auto-fágica: você escreve, você mesmo lê, você mesmo critica e no final tudo termina bem.
Eu mesmo não sei muita coisa sobre os escritores profissionais. A quem pasme por eu ter conhecido José Saramago aos trinta e poucos anos, rs rs . Sei pouco sobre muitos deles. Mas, eu, escritor amador (no sentido de não-profissional e também no sentido de amar escrever! Mesmo fazendo esse trocadilho infame...), preciso escrever para viver melhor, é terapêutico! E o alívio: é de cunho existencial!
.
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário